segunda-feira, 18 de março de 2013

Autismo: luta para superar barreiras


Josemar Souza, estagiário de Psicologia, é monitor de André na sala de aula


Mirthyani Bezerra, da Folha de Pernambuco/ foto - Nathália Bormann/Folha de Pernambuco

Há sete anos, a pedagoga Maria da Conceição Viana de Godês, 36 anos, descobriu que estava grávida. Ela tinha acabado de sair de um relacionamento e decidiu assumir sozinha a responsabilidade de criar uma criança. “Ele nasceu no dia 14 de julho de 2005 e foi uma alegria para toda a família”, conta. Tudo corria bem com o desenvolvimento de Pedro Henrique Viana de Godês, hoje com 7 anos, que aos sete meses e meio, segundo sua genitora, já conseguia chamar “mamãe”.

Aos três anos, no entanto, Pe­dro começou a apresentar um comportamento diferente das crianças da sua idade: não gostava de brincar com os colegas da escola; possuía um diálogo pobre, muitas vezes monossilábico; apresentava hiperatividade, dentre outras questões. “A professora na escolinha foi quem percebeu e me comunicou. O levei ao psicólogo, que o encaminhou a um psiquiatra. No começo, foi bem difícil, porque eu não queria aceitar que meu filho tinha um problema”, desabafa.

Pedro foi diagnosticado com espectros autistas, ou seja, ele possui traços leves do autismo. “Foi uma luta muito grande. Precisei contar com a ajuda da mi­nha família para conseguir dar a Pedro o acompanhamen­to adequado, porque se fosse depender da rede pública eu que não conseguiria”, conta.

Mães como Conceição precisam lutar todos os dias para que os filhos consigam superar as barreiras impostas pela doença. A força para enfrentar o pro­blema, segundo a presiden­te da Associação de Pais e Famílias para o Bem-estar e Tratamento da Pessoa com Autismo (Afeto), Maria Ângela Dantas Lira, começa com a aceitação.

“Esse é o primeiro passo para superar a dor do diagnóstico, que é ‘café pequeno’, comparado aos desafios que precisamos enfrentar. Os pais devem saber que não estão sozinhos e que muita gente como eles passa pelo desafio de criar um filho com autismo”, comenta.

Com o intuito de partilhar experiências e informações sobre tratamento, médicos especializados, entre outras questões, que, em 2005, pais com crianças com autismo se uniram e formaram a Afeto. A entidade se inspira no trabalho da Associação de Amigos do Autis­­ta (AMA), em São Paulo.

A veterinária Suzana Mesquita, 47 anos, visitou a AMA meses depois de descobrir que o filho tinha autismo, no final da década de 1990, e encontrou nos casos exitosos vistos na associação forças para seguir em frente. “Vi coisas maravilhosas lá, crianças tendo as suas capacidades cognitivas estimuladas. Mas vi muitos casos graves também de adultos que, no geral, nunca tinham passado por nenhum tipo de tratamento. Foi muito triste. Tive medo de que meu filho se tornasse um deles”, revela.

Segundo o psiquiatra e psicanalista José Roberto Correia, quanto mais cedo o diagnóstico é feito, melhores são as chances de a pessoa com autismo desenvolver ao máximo suas capacidades. “Na criança, as coisas são muito móveis. Mas, na medida em que essas coisas não acontecem fica mais difícil serem desenvolvidas depois”, conta.

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