Uma história
de amor está comovendo Juazeiro, Petrolina e região do vale do São FRancisco.
Na quarta-feira (14), Givanildo Alves Lima, 46 anos, e Graça Leá Souza, 51,
casaram-se dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional do
município. Juntos há 20 anos e com duas filhas, uma de 24 e outra de 18, o
casamento foi oficializado depois que Givanildo sofreu um acidente de trabalho
e ficou tetraplégico."Eles construíram uma família, mas minha mãe sempre
foi daquelas pessoas que não gostavam de casar, dizia que tudo estava bem
daquela forma, não tinham por que casar.
Mas isso
sempre foi um sonho dele, desde sempre", explica a filha Larissa Emanuele,
responsável pela organização da pequena cerimônia que foi realizada no quarto
onde o pai está internado há quatro meses, assim como na organização dos papéis
para o casamento. Para realizar o procedimento, a jovem conseguiu uma
procuração e solicitou o casamento civil.Apesar da dificuldade de comunicação,
porque atualmente ele respira com o auxílio de aparelhos, Givanildo consegue
falar, embora o som seja praticamente inaudível, segundo a família. "Não
sai muita coisa da voz, mas com calma nós conseguimos ler o que está
dizendo", explica Larissa.
Graça Leá
Souza Lima fala da reação do esposo quando soube do casamento: "Nossa, foi
uma alegria incrível. Ele tratou logo de chamar todo mundo, os enfermeiros, a
equipe médica, e foi aquela festa dentro do quarto. Ele me disse que a culpa
dele estar ainda aqui, vivo, era minha, que eu era a culpada disso tudo",
conta, emocionada, a esposa.No dia da cerimônia, Graça lembra que o
"sorriso fácil" do marido era maior do que o de costume. "Eu sou
suspeita, mas ele tem um olhar muito bonito e expressivo, mas no dia isso tudo
foi maior", conta. A cerimônia religiosa foi ministrada por um pastor
evangélico.O diretor do Hospital Regional de Juazeiro, José Antônio Guimarães
Bandeira, acompanhou a cerimônia e falou da situação até então inédita entre os
seus 12 anos de atuação na medicina.
"Foi uma
cerimônia muito emocionante para todos nós. No final teve o beijo deles, e foi
um grande momento para quem estava ali", diz.Apesar da luta diária já que,
segundo a família, Givanildo pode não conseguir voltar para casa,
principalmente por conta da necessidade da respiração com ajuda de aparelhos, a
"esperança não irá acabar", afirma a filha Larissa. "Meu pai tem
nos ensinado muito sobre a vida, sobre a vontade de viver. Ele já nos deu
tantas reviravoltas durante este mês, já chegou a ter parada cardíaca e a
desacreditar a equipe médica, mas voltou firme e forte, que hoje nós temos
muita fé e acreditamos que ele ainda tem muito para nos ensinar",
completou Larissa."Ontem [dia 16] mesmo ele pediu para os enfermeiros
pintarem na testa dele a frase 'eu amo minha família' e nos surpreendeu, mais
uma vez", disse a esposa...
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