![]() |
|
O ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva disse à presidente Dilma Rousseff que o empresário Marcos
Valério Fernandes de Souza está "blefando" ao ameaçar envolvê-lo no
escândalo do mensalão e o desafiou a apresentar provas. Para Lula, o relator do
processo, Joaquim Barbosa, tem razão quando descreve Marcos Valério como
"jogador".
"Eu nunca estive
com esse cidadão", afirmou Lula. Na conversa de quase quatro horas com
Dilma, pouco antes do jantar de confraternização promovido na terça-feira, 6,
por ela com ministros, senadores e deputados do PT e do PMDB, no Palácio da
Alvorada, o ex-presidente garantiu não haver motivo para preocupação com as ameaças
de Marcos Valério.
Condenado pelo Supremo
Tribunal Federal a 40 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha,
corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o
empresário prestou depoimento em setembro ao Ministério Público Federal, como
revelou o Estado.
Investigadores que
acompanharam o depoimento, mantido em sigilo, contaram que Marcos Valério citou
Lula, o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e o
ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci. Segundo o Ministério Público, o
empresário fez revelações sobre o assassinato do prefeito de Santo André Celso
Daniel (PT), ocorrido em 2002. Apontado como operador do mensalão, ele também
mencionou outras remessas de recursos para o exterior e prometeu dar detalhes
sobre a acusação, se for incluído no programa de proteção à testemunha.
"Marcos Valério
está fazendo chantagem. Se ele tem algo a exibir, que exiba. Se não mostrou
nada, até agora, é porque não tem", afirmou o advogado Sigmaringa Seixas,
ex-deputado do PT.
Sigmaringa também
conversou com Lula na terça-feira, quando ele esteve em Brasília para o
encontro com Dilma. "As próprias pessoas que Marcos Valério diz que vai
procurar já devem ter compreendido que ele é um blefador", insistiu
Sigmaringa. "Ele está desesperado e uma pessoa nesse estado fala qualquer
coisa para reduzir a sua pena", emendou o líder do PT na Câmara, Jilmar
Tatto (SP).
Apesar de minimizar o
depoimento de Valério, Lula avalia que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu
e o ex-presidente do PT José Genoino devem se preservar. No seu diagnóstico, o
STF tende a aplicar penas muito duras contra os petistas e qualquer declaração
pode prejudicá-los. Foi por esse motivo que Lula pediu à cúpula do PT, na
semana passada, o arquivamento de um manifesto de apoio aos réus do mensalão.
Investigação. Na esteira
das denúncias de Marcos Valério, integrantes da oposição pediram à
Procuradoria-Geral da República, na terça-feira, a abertura de inquérito para
investigar se Lula participou do mensalão.
Assinada pelo PPS e por
três tucanos, a representação rachou a oposição e não teve aval do DEM nem da
cúpula do PSDB. "Nós estamos diante de um mensalão 2 e fizemos o nosso
dever", resumiu o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE).
Em conversas reservadas,
nos últimos dias, Lula tem afirmado que a população deu, nas urnas, a resposta
contra a sentença aplicada aos petistas no julgamento do mensalão, elegendo 633
prefeitos do PT no País. A maior vitória do partido foi em São Paulo, com o
calouro Fernando Haddad. Em nota divulgada na semana passada, Gilberto Carvalho
disse nunca ter tido contato com Marcos Valério "nem pessoalmente, nem por
e-mail, telefone ou qualquer outro meio". Palocci não comentou a acusação.
|

Nenhum comentário:
Postar um comentário